Papa sugere atitudes concretas para o problema da fome

Por Jéssica Marçal, da Redação

Santo Padre enviou videomensagem a especialistas que refletem sobre o tema da Expo Milão 2015: “Nutrir o planeta, Energia para a Vida”

papa02O Papa Francisco enviou uma videomensagem por ocasião do evento “As ideias da Expo 2015 – Rumo à Carta de Milão”, neste sábado, 7. Cerca de 500 especialistas nacionais e internacionais se reúnem em torno do tema “Nutrir o planeta, Energia para a Vida”, que será o tema da Expo Milão 2015, evento sobre alimentação e nutrição.

Dirigindo-se aos especialistas reunidos hoje, o Santo Padre recordou o “paradoxo da abundância”, citado por João Paulo II: há comida para todos, mas nem todos podem comer, enquanto está diante dos olhos o desperdício e o consumo excessivo, bem como o uso dos alimentos para outros fins. Isso já havia sido mencionado por Francisco em sua visita à FAO (Organização da ONU para Alimentação e Agricultura) em novembro do ano passado (Confira o discurso do Papa na ocasião).

O discurso do Papa se articulou em tornou de três pontos principais, que são atitudes concretas sugeridas por ele para superar a tentação de argumentações falsas com relação ao problema da fome. O primeiro deles foi a necessidade de caminhar das urgências à prioridade.

“Tenham um olhar e um coração orientados não a um pragmatismo emergencial que se revela como proposta sempre provisória, mas a uma orientação decidida em resolver as causas estruturais da pobreza. Recordemos que a raiz de todos os males é a desigualdade”.

Se o desejo realmente é resolver os problemas, o Papa disse que é preciso resolver o problema da desigualdade, e isso requer escolhas prioritárias a fazer: “renunciar à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e agir antes de mais nada sobre as causas estruturais da desigualdade”.

Caridade e proteção da terra

A segunda atitude recomendada pelo Papa é ser testemunha de caridade. Ele destacou que a caridade não é o princípio das micro-relações, entre familiares e amigos, por exemplo, mas também das macro-relações: relações sociais, econômicas e políticas.

“De onde, então, deve partir uma sã política econômica? Sobre o que se empenha um político autêntico? Quais os pilares de quem é chamado a administrar a coisa pública? A resposta é precisa: a dignidade da pessoa humana e o bem comum”.

Para concluir, o Pontífice enfatizou a necessidade de ser “protetor” e não “patrão” da terra, a fim de que ela não responda às ações humanas com a destruição. “A terra é generosa e não deixa faltar nada a quem a protege (…) A atitude de proteção não é um empenho exclusivo dos cristãos, mas diz respeito a todos”, afirmou.

Francisco reiterou o pedido que já havia feito na Missa de início do seu ministério como Bispo de Roma, há quase dois anos: que os responsáveis nos âmbitos econômico, político e social, bem como todos os homens e mulheres de boa vontade não permitam que sinais de destruição e de morte acompanhem o caminho do mundo.

A Expo Milão 2015 será uma exposição universal que a Itália vai sediar de 1º de maio a 31 de outubro desse ano sobre alimentação e nutrição.